terça-feira, 29 de setembro de 2009

A corrida maluca dos crentes com propósito




Certamente quem tem mais de 25 anos de idade, recorda-se de um desenho animado chamado Corrida Maluca. Em cada episódio, os onze carros disputavam ferozmente o primeiro lugar do pódio em busca do título de Corredor Mais Louco do Mundo. Para este feito, utilizavam os recursos mais diversos possíveis, e, em alguns casos, recursos nem um pouco nobres. Alguma semelhança com a massa evangélica brasileira? Vamos ver...


A Administração por Objetivos (APO) é um estilo de administração que enfatiza o estabelecimento conjunto de objetivos tangíveis, verificáveis e mensuráveis. Não se trata de uma nova idéia. Peter Drucker já a havia anunciado como um meio de formular e utilizar objetivos para motivar as pessoas , e não simplesmente para controlá-las. Hoje, quando se fala em administração, surge sempre uma prévia discussão da APO. (Idalberto Chiavenato, Administração nos Novos Tempos. Editora Campus, 2000, p. 271).

Esta é uma ferramenta para melhorar o desempenho de uma empresa integrando suas diversas áreas numa busca por seus próprios objetivos e consequentemente, os objetivos gerais da organização. Pode não parecer familiar, mas, se mudarmos de Administração por Objetivos para "Qualquer coisa" com Propósitos... qualquer semelhança não, não é coincidência. Nunca se ouviu falar tanto em nãnãnã estratégico, propósito e visão. De repente, é uma herança do g-dozismo, lembra dele? Pois bem, fato é que existe uma pregação que ensina o crente a sonhar e a escrever os seus sonhos numa folhinha de papel (no melhor estilo de pedido para o Papai Noel) porque afirmam que "Deus só opera de acordo com (os nossos) sonhos e propósitos" - Bonito... mas, Deus não é soberano? Hum... nome do filme, Bíblia: esqueceram de mim, parte 1.

Segundo estes ensinadores, normalmente, no culto do dia 31 de dezembro ou mesmo antes, o crente é instruído a escrever seus alvos para o próximo ano dividindo sua vida como uma empresa: área financeira, profissional, familiar, espiritual, etc. Ele levanta sua relação para o alto, ora com fé e o natural da coisa é que ele passe os próximos meses na corrida por atingir esses objetivos, cuja orientação é que sejam 1) Específicos. 2) Mensuráveis. 3)Atingíveis. 4) Realísticos. 5) Tangíveis (igualzinho à definição de APO). Parece ou não parece uma empresa? Só que ela, sim, vive de resultados, uma ovelha não! Peter Drucker afirma que tudo isso é uma ferramenta para motivar pessoas... e não é isso que se vê por aí? Um bando de evangélicos empolgados numa corrida maluca por seus propósitos carnais? Fico imaginando se é possível conjecturar os apóstolos, cada qual, com seu projeto de vida embaixo do braço (afinal, não seriam crentes medíocres, sem visão; eles quereriam crescer) ticando metas já alcançadas, passando um marca-texto em metas a alcançar e questionando Jesus sobre "quando a minha hora vai chegar". Administração por Objetivos é a pregação do momento maquiada de pseudo-espiritualidade e muita gente boa tem embarcado nesta canoa furada impactado com tanta sabedoria e com tanta visão de seus pregadores. Lamento informar, mas, sua preguiça e falta de leitura podem lhe custar a salvação. Dê uma passeada numa livraria secular... folheie livros de auto-ajuda, livros sobre vendas, sobre Programação Neuro-linguística... e saberás a inspiração de algumas "mensagens impactantes" por aí...

Irmão, mas, é pecado querer melhorar, querer subir na vida? Lógico que não, meu prezado leitor. Só que a Bíblia nos ensina a não confiar em nosso coração porque ele é enganoso. Quem garante que a listinha de desejos é feita no espírito e não na carne? Ainda, que na folhinha haja uma orientação para o preenchimento dos alvos feito sob orientação do Espírito Santo, parece-me extraordinário demais Ele revelar Sua vontade para cada área de tua vida de maneira específica-mensurável-atingível-realística-e- tangível em tão pouco tempo de oração. Hum... Bíblia: esqueceram de mim, parte 2. E esqueceram mesmo ou puseram-na de lado propositalmente, pois, quando Peter Drucker, Michael Porter, Stephen R. Covey entre outros tornam-se fontes inspiradoras para o exercício da fé cristã, o sentimento da segunda vinda de Cristo fica mais forte. Maranata!

E assim caminha a humanidade... às vésperas do último trimestre do ano, a corrida maluca dos crentes com propósito fica ainda mais intensa. Não basta ser abençoado pela graça, é necessário provas materiais... imagina chegar no final do ano sem um testemunhozinho para contar... tá amarrááááádu!!!!!! Só que a esta altura do ano, enquanto alguns que são os perseverantes-mais-que-vencedores-que-reinarão-em-vida-e-prosperão-porque-ouvem-seus-profetas continuam na sua empreitada, outros nem sabem onde está a tal listinha de objetivos. Na verdade, aquela empolgação do começo do ano já se foi porque deu tudo errado... um falecimento, uma demissão inesperada... uma perda. Sua fé é triste e aparente, aquela mensagem de vitória parece funcionar para todo mundo menos contigo... sensação horrível de exclusão... fez tudo certinho e nada... "talvez essa religião não seja para você"... e assim, mais um desiludido com esse negócio de igreja. Pregadores da Administração por Objetivos, receeeeeeeeeeeeeeeeeeebam! Vai para conta de vocês, ok?!

Um grande esforço de administrar por objetivos provoca uma significativa ruptura na organização, pois substitui a ênfase nos meios (mera obediência às regras) pela ênfase nos fins (foco nos resultados a serem alcançados). A APO desloca a preocupação com regras, regulamentos, procedimentos e métodos pela preocupação com resultados e metas a atingir. (Idalberto Chiavenato, Administração nos Novos Tempos. Editora Campus, 2000, p. 276).

Este é um dos pontos negativos da APO, agora, imagine dentro de uma congregação os seus possíveis estragos. Novos convertidos, principalmente, cuja preocupação deveria ser aprender mais sobre os atributos de Deus e uma nova forma de vida, veêm-se na luta para comprovar a benção dos céus sobre si. Esta ênfase nos resultados dá lugar a um novo fenômeno: testemunhos fabricados, a famosa forçação de barra. Jovens afoitos por demonstrarem que estão crescendo na vida, matriculam-se numa universidade e dão testemunho da benssão! Pergunta básica: tem certeza de que uma faculdade está nos planos de Deus para a sua vida? Resposta: ah... se eu tenho essa vontade e Deus cumprirá o desejo do meu coração, então, faculdade é de Deus. Resultado: no terceiro período ele tranca por causa dos aumentos da mensalidade. E aê, como tá a faculdade? Hã... ah.. a facul... tranquei, mas, vou voltar no próximo semestre... (junto com o papai noel e suas renas! tá bom...). Outro comum é o varão do carro novo... tava na listinha... o pastor ungiu as chaves e tudo mais... é... na décima prestação ele entregou o carro porque estourou seu orçamento... o filho pequeno pergunta: papai, por que o senhor vendeu o carro? A esposa reclama-e-reclama-e-reclama porque não acredita ter que voltar a andar de ônibus de novo. Então... mais uma família decepcionada com esse negócio de igreja. Pregadores da Administração por Objetivos, receeeeeeeeeeeeeeeeeeebam! Vai para conta de vocês, ok?!

Ninguém é inocente (vide a última postagem do blog), no entanto, a corrida maluca dos crentes com propósito é cruel. Vai dizer, irmã, que você nunca se sentiu inferior por causa da roupa das outras irmãs no culto de domingo à noite? A maneira como te olharam. E a marca da bolsa? Êita. Iaê, cara, quando é que tu vai comprar um carro? Você tem que crescer... tem que andar com pessoas melhores que você... blábláblá... mesmo assim somos um povo... assim bem (mal) ajustado, diga-se de passagem. Os jovens de hoje almejam tanto fazer faculdade porque os pais e pastores orientam as jovens a selecionarem um varão aben$$oadu. É a lei do mercado, oferta e procura. Se o rapaz é íntegro e bom obreiro, mas, ainda pede pra rachar o lanche na cantina, chuta que é laço! E assim, uma geração de meninas, à moda antiga, casadas sem amor que logo tem um filho na tentativa de ressuscitar o que já nasceu morto. Então, mais uma pseudo-família para qual esse negócio de igreja não faz tanto sentido. Pregadores da Administração por Objetivos, receeeeeeeeeeeeeeeeeeebam! Vai para conta de vocês, ok?!

A Incerteza dos Planos Humanos

Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna. Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado. (Tiago 4.13-17).

Temos uma vida finita repleta de coisas finitas; pouquíssimo tempo para ajuntar tesouros nos céus, então, por que nos deixar fascinar pela Babilônia? Só para se enturmar e dizer que tem visão? Se a Bíblia nos adverte sobre a incerteza, a falibilidade, a limitação de nossos planos é sinal ser aconselhável nos desfazer das manias antigas para se viver o novo. Por isso, conheçamos e prossigamos em conhecer Aquele que nos amou primeiro. Dobremos os nossos joelhos, seja numa cobertura ou num apartamento pequeno, seja numa casa própria ou alugada, convertamos nosso riso em pranto e seremos ouvidos. Acheguemo-nos a Deus, num carro zero ou usado, a pé ou num transporte coletivo e pensemos somente nas coisas do alto procurando conhecer e prosseguir em conhecer Aquele que nos amou primeiro. Santifiquemo-nos de alta ou ainda internado, totalmente curado ou ainda em tratamento, com uma certidão de nascimento em mãos ou de óbito, com beca de formatura ou ainda com livros de alfabetização na mochila, com um negócio próprio ou um emprego simples de carteira assinada, santifiquemo-nos. Santifiquemo-nos. Santifiquemo-nos por causa dAquele que um dia nos amou primeiro.

Seja essa a nossa melhor estratégia. Seja este o nosso maior propósito.

Amém.



Notas:

Peter Ferdinand Drucker, (nasceu em 19 de novembro de 1909, em Viena, Áustria - faleceu em 11 de novembro de 2005, em Claremont, Califórnia, EUA). Foi filósofo e economista, de origem austríaca, é considerado por todos o pai da Gestão moderna, sendo o mais reconhecido dos pensadores do fenómeno dos efeitos da Globalização na economia em geral e em particular nas organizações, ainda hoje, mesmo após a sua morte, permanece inquestionavelmente como “Único” Pai da Gestão.

Michael Eugene Porter (Ann Harbour, Michigan, 1947) é um professor Harvard Business School, com interesse nas áreas de Administração e Economia. É autor de diversos livros sobre estratégias de competitividade.

Stephen Covey (Nascido em 24 de Outubro de 1932 em Salt Lake City, Utah) é autor do best-seller administrativo (classificado por alguns como livro de auto-ajuda) Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes. É membro praticante da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ou "Mórmons", onde tais principios (família, a liderança pessoal ou autoliderança) são a base de seus ensinamentos. Entretanto, Covey afirma e muitos concordam que os princípios e métodos ensinados por ele não são exclusivos de nenhuma religião ou ideologia e que seus livros seculares são religiosamente neutros, embora sejam espiritualmente profundos.

Corrida Maluca (nome original Wacky Races) foi um desenho animado produzido pela Hanna-Barbera e lançado pela CBS que foi produzido entre 14 de Setembro de 1968 a 5 de Setembro de 1970, rendendo 34 episódios.





sábado, 12 de setembro de 2009

Sã doutrina e ensino bíblico: os órfãos do evangelicalismo contemporâneo praticado por alguns.




É verdade que alguns pregam Cristo por inveja e rivalidade, mas outros o fazem de boa vontade. Estes o fazem por amor, sabendo que aqui me encontro para a defesa do evangelho. Aqueles pregam Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que me podem causar sofrimento enquanto estou preso. Mas, que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro. De fato, continuarei a alegrar-me...
Fp 1.15-18.

Imagine-se novo em uma empresa. Iniciada as atividades, dizem para você não fazer isso, isso, isso e aquilo e também não se comportar de tal maneira e que isto não pode, isto também não pode e pronto! Bom trabalho! No mínimo, você olharia com aquela cara de bobo pensando: E...? Porque disseram tudo o que é errado, você aprendeu tudo sobre como não exercer sua função, mas, esqueceram de ensinar o certo e principalmente, como fazê-lo. Numa época em que a liberdade de expressão atingiu patamares incontroláveis com o advento da internet, assistimos uma verdadeira batalha de gladiadores no meio evangélico. Talvez em nenhum outro tempo a carnalidade mostrou-se tão explícita quanto agora, entre os que acusam e os que se defendem. No meio dos ataques e contra-ataques, lábios enegrecidos falam de tudo, menos da sã doutrina.

Paulo, preso, tomou conhecimento de que muitos irmãos seus, possivelmente discípulos formados por seu serviço cristão, agora, aproveitavam-se de sua prisão e do evangelho para se auto-promoverem. Como ele sabia a real motivação daqueles pregadores? Eu não sei. Parece, porém, que ele afirma com conhecimento de causa! A questão é que independente da intenção, Paulo se atem ao seu chamado sem se importar muito com eles, afinal, quem converte não é o preletor e sim a Palavra. Que belo exemplo a ser seguido. Devemos cuidar de não perder tempo criticando com veemência pessoas que não conhecemos, não convivemos, como se tivéssemos o dom da onisciência para saber qual a real intenção do seu ministério. Nada é construído em cima da destruição alheia. Para edificar não é necessário derribar. Acaso o guarda de Israel deixaria os seus se perderem por causa de homens? Ele nos instrui e ensina o caminho (Is 28.26). Se isso é verdade (e sim, é verdade sim), cabe ao Senhor o juízo da intenção dos corações porque ninguém deixará de receber a salvação por causa dos ministros de Mt 7.22.

É verdade que existem hoje os que pregam o evangelho de boa vontade e os que pregam outros evangelhos caracterizados por princípios humanistas e fábulas e fazem isto de boa vontade. São sinceros, ainda que equivocadamente sinceros. Estes são chamados de cães, pelo apóstolo Paulo (Fp 3), num discipulado corretivo a Clemente, Evódia e Síntique, a fim de resolverem uma demanda surgida entre eles... Captou a mensagem? Discipulado corretivo. Paulo não falava a um novo convertido, falava a líderes, pessoas maduras na fé, definidas e capazes de pensar e refletir à luz da Bíblia. Aqui está a pedra de tropeço de muitos.

1) Paulo combatia a pregação e não o pregador. Parece a mesma coisa, mas, não é. A crítica não se dava no âmbito pessoal, mas, era uma questão doutrinária já que ele identificava uma anomalia no discurso: a circuncisão e o apego as coisas terrenas.

2) Paulo não critica por criticar. Ele apontava o erro e ensina o que fazer e como fazer. Convoca os seus para não perderem o foco (prosseguir para o alvo), explica o que significa circuncisão na nova aliança, afirma que os maduros na fé deveriam ter o seu entendimento, não perde tempo com questionadores infundados (Fp 3.15) e pacifica o assunto destacando o fim daqueles e a recompensa dos justos.

Quantos não perdem tempo apenas apontando o erro sem ensinar o que é certo e como fazê-lo? Gastam energia minando algo que há de ser julgado pelo Deus de Israel como se Ele não soubesse o que está acontecendo. Se é a Bíblia que defendemos, contenhamo-nos nela! Façamos segundo seus ensinamentos. É necessário sabedoria e cuidado com as palavras. Cabe a cada pastor apascentar as suas ovelhas no caminho que devem andar e não a blogueiros, Msn'ers e Orkut'ers. Seria muita pretensão querer cuidar das ovelhas dos outros via web. Se alguém usa o púlpito como uma trincheira de guerra, problema é dele. Deveria pensar no visitante, no novo convertido, no desviado que está tentando voltar, nos parentes daquele que são o seu alvo... a coisa não deveria descambar para o lado pessoal. Nem todos têm ouvidos para ouvir certas coisas! Por isso Paulo foi seletivo no seu discurso.

Recentemente, vivenciei uma experiência curiosa. Um amigo meu foi marcado com um "x" na sua igreja. Agora ele não presta mais. Selecionaram, apertaram o delete e bum! Confesso que a revolta no meu peito se acendeu. O mouse do meu pc se transformou num gatilho e meu dedo coçava. A postagem já estava pronta na minha mente, porém, não foi publicada porque me constrangi. Meu amigo disse que estava sendo massacrado, mas, permaneceria quieto, num estilo paulino, prosseguindo para o alvo. Tudo o que eu pensei em escrever sobre aquele pastor depositei no altar de Deus. Não pus o sol sobre minha ira, pois, certamente minhas palavras não edificariam a ninguém e por tabela, entristeceriam o Espírito Santo. E as vidas que tem se aproximado de Cristo pela pregação daquele homem? Não, não quero servir de tropeço a neófitos...

Quem não desejar ser questionado, não se envolva. Não faça nada. Quem quiser questionar, faça de mãos dadas com a ética e com a Doutrina. Exalte-a. Promova-a. Ensinando os seus no caminho que se deve andar automaticamente eles saberão quais caminhos não percorrer. Simples assim. Mas, cuidado! Você está em posição de contradizer para ensinar? Foi-lhe dado a condição de ensinar ou discipular alguém? Em caso negativo, então, quem está respaldando suas palavras? Em caso afirmativo, não queira cuidar do filho do vizinho... Como um bom exemplo, publico o vídeo do pastor Mark Driscoll . Tremendo quando ele diz não se importar com a fama, as posses financeiras do referido pregador, ou seja, não é nada pessoal. O problema nisso, se houver, é resolvido entre a pessoa e o Deus de Israel. A contradição está na pregação e, seguindo o apóstolo Paulo, Mark expõe na Bíblia (e não em conceitos pessoais) suas divergências. Eu sei que ele pode se desvirtuar um dia, é verdade (como alguns irmãos brasileiros que me são, atualmente, irreconhecíveis), mas, por agora, ele é um dos poucos pregadores de linhagem histórica dos nossos dias. Por quê? Bom... existe algum registro de Calvino e Armínio se atacando? Ou suas divergências e críticas ficavam no âmbito das idéias? Todo discurso sem um real ensino bíblico é um discurso coxo! Palavras mudas.

Leia a sua Bíblia. Espalhe as pedras quando isto lhe for imputado e oportuno, não para si mesmo, para o Senhor.

Leia a sua Bíblia para alcançar entendimento sobre o que fazer, como fazer, quando fazer e de que forma fazer.

Leia a sua Bíblia para desenvolver a sua salvação e assim provocar os outros ao mesmo desenvolvimento.

Leia a sua Bíblia para serrar a trave dos seus olhos que, por vezes, deturpa a imagem do seu próximo.

Leia a sua Bíblia. Faça este favor a si mesmo.







domingo, 6 de setembro de 2009

Os descedentes dos fabricantes de bezerro de ouro e sua teologia metamórfica


Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois
você sabe de quem o aprendeu. 2 Tm 3.14

Palavras do apóstolo Paulo servem como advertência para os que almejam cumprir a vontade do Senhor, nestes dias. Peço aos mais velhos que me ajudem, pois, ouso a dizer que nunca se viu tanta contradição no meio evangélico como a que existe agora. Teologias metamórficas que se transformam naquilo que antes era o alvo de questionamento e até discordância. O que está acontecendo?

Alguém já disse, o povo não é bobo. E não é mesmo. Astuto e corrompido pelo pecado original, nos seus espasmos carnais dá a luz a mitos e mestres segundo os seus próprios interesses (2Tm 4.3). Querem atenção e carinho, querem ânimo e festa, pensamento positivo, um culto bem "pra cima", bem legal... e homens se esquecem de sua formação, trocam seus valores pelos gritos de uma multidão eufórica que séculos atrás urrava "Barrabás, Barrábas...". O relativismo acampou em plataformas e tomou o microfone de muitos. Onde foi parar a convicção protestante? Incrivelmente, uns dizem que não há pecado porque Jesus já levou o pecado na cruz. Dizem outros que o pecado depende de sua consciência, ou seja, depende do ponto de vista. E a Bíblia serve para que mesmo?

Por outro lado, as pessoas não são tão manipuláveis assim. A informação está globalizada e se a internet não é uma fonte cem por cento segura, a Bíblia é. Ater-se ao conteúdo que está entre capa e contra-capa é proteger-se dos ventos de doutrina. Por que alguém liga para uma rádio perguntando, "isso é pecado"? Não existe um homem de Deus em sua congregação para instruí-la ou ela procura um hálibi? Oração-jejum-leitura bíblica dá trabalho... de repente no Google tem alguma coisa. Fabricantes de bezerro desta geração almejam administrar o puro e o profano debaixo da vista grossa de seus mestres em troca de dízimos, ofertas e devoção! Aceitam serem súditos de homens e trabalharem por seus impérios.

Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. 2Tm 4.4

Timóteo deveria estar preparado para a impopularidade. Aqui nasce o pacto sinistro entre os que não suportam a sã doutrina e seus instrutores. Chamam de aliança, de submissão às autoridades espirituais, de dar ouvidos aos seus "profetas" para prosperar... nada mais do que mera conveniência: um prega o que se quer ouvir e o outro ouve e o segue numa servidão à moda medieval. Pronto. Pouco importa se o que foi dito não tem embasamento bíblico, se o líder falou está falado, nem precisa abrir as Escrituras. Se ele defeca na Hexegese e Hermêutica; o povo dá descarga. Estamos felizes, estamos crescendo numericamente, somos evangélicos... Cumprida a palavra do apóstolo Paulo, o que fazer?

Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério. 2Tm 4.5

Não se iguale. Não ceda aos elogios, às propostas e artimanhas. Permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção. O evangelho do Senhor Jesus Cristo é simples. A pregação de Paulo choca-se com a dos mestres modernos, porque ele exorta Timóteo a sofrer, trabalhar na Obra, ser pleno em sua vida espiritual e... e... e como assim? Não promete nenhuma vitoriazinha? Nada, nada? Hã-hã... diferentemente daqueles que pregam luta-vitória-vitória-luta. Falam de Davi e Golias, Golias e Davi, Davi e Saul, Saul e Davi, a mulher do fluxo de sangue, o fluxo de sangue da mulher e qualquer outra passagem que contenha textos para o seu próprio pretexto! Não, não é errado pregar mensagens de consolação e de vitória, mas, segundo a carta paulina, não dá para se pregar apenas isso (seja moderado em tudo).

Todos erramos e erraremos. Todos temos o direito de voltar atrás. Seguindo as palavras de Jesus (Ap 2.5), voltemos ao lugar da queda e não a um outro lugar mais cômodo. Voltemos a praticar o que praticávamos no início da caminhada e não adentremos em mover daqui e mover dali. Ora tal coisa é a visão, ora já não é mais... ora eu prego contra, ora eu prego a favor, ainda que sem biblicidade que a respalde. Defende-se o que dá resultado e o que o povo pede, se não, ele vai embora... ele "não concorda" e vai procurar outro mito. Não se iluda! "O beijo amigo é a véspera do escarro; A mão que te afaga é a mesma que apedreja". Lutero ao se livrar do erro, retornou às Escrituras, lugar de verdadeira segurança espiritual. Seguindo seu exemplo, a meditação aconselhável é: dá para permanecer naquilo que tenho aprendido? O que tenho aprendido foi o que Timóteo aprendeu? Há convicção no ensino ou ele é pautado em mensagens de outros "mestres"? Estou ensinando algo que pode ser pregado a toda criatura?

Lembre-se quantas vezes você ouvindo uma pregação franziu a testa. Era uma dúvida em relação à biblicidade daquelas palavras, mas, como você aprendeu que dúvida é do diabo, deixou pra lá. Toda vez que isso acontecer, abra a sua Bíblia! Pode ser a sua chance de livrar-se da operação do erro. Ressalto que não incentivo aqui nenhuma espécie de bravata e rebeldes-sem-causa, até porque estes procuram aplicar certos mandamentos aos outros que eles mesmos não praticam. Se você "não sabe nem a hora que está com fome", por favor, contenha-se. Saiba, porém, que desejar entendimento não é pecado.

Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo. At 17.11

Fabricantes de bezerro jamais ensinarão isto a você, nem os seus mitos, ao contrário, porão tampões em seus ouvidos para que você torne-se mais um a repetir frases feitas. Dobre os seus joelhos e ore. Tomara que as palavras de Paulo um dia façam sentido para você!

Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo da sã doutrina que você ouviu de mim. Quanto ao que lhe foi confiado, guarde-o por meio do Espírito Santo que habita em nós. 2Tm 1.13-14.






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